Normalmente a Interpretação sísmica é realizada por profissionais com formação em geofísica (graduados, com pós-graduação ou cursos complementares em geofísica), mas é cada dia maior o número de geólogos que tambem atuam na área da interpretação sísmica. Muitos dos intérpretes mais antigos e que atuam hoje em dia são da época em que não existiam cursos de graduação em geofísica…Surge então a inevitável questão: Quem pratica a interpretação sísmica de forma mais eficaz: Geólogos ou Geofísicos???

A resposta é: depende….  Considerando as diferenças de formação podemos afirmar que a interpretação sísmica em fronteira exploratória, especialmente nas áreas pouco conhecidas, prescinde de conhecimentos exercitados de forma mais plena pelos profissionais com formação em geologia. Por exemplo, os conceitos da sismoestratigrafia, sistemas petrolíferos, identificação de ambientes deposicionais e seu potencial para geração de reservatórios são dominados com mais propriedade pelos graduandos em geologia. Já os cursos de geofísica aprofundam conceitos como AVO, inversão sísmica, monitoramento da produção e outros igualmente importantes na caracterizaçãon de reservatórios e otimização da produção.

Contudo nada impede, que um ou outro profissional possa buscar complementar as competências adquiridas durante sua graduação, com aquelas necessárias para a fronteira onde atua: exploração ou produção. Dessa forma a interpretação sísmica poderá ser exercida de forma plena pelo explorationista, seja ele graduado em geologia ou geofísica.

One Response to Geólogo ou Geofísico – Qual o melhor intérprete ???
  1. Até uns tempos atrás Geofísica era apenas uma ferramenta a mais no embornal do geólogo. Alguns geólogos se concentravam mais no conhecimento de geofísica, principalmente na coleta e no processamento dos dados. Acabaram sendo chamados de geofísicos até, recentemente, se criar o profissional pleno. Podemos traçar um paralelo com a Medicina. Radiologia e ultrassonografia são métodos físicos aplicados à Medicina exatamente como a Geofísica. O radiologista que emite um laudo é médico como uma maior concentração de conhecimento em radiologia. Entretanto, mesmo com o laudo deste especialista na mão, o médico que requisitou a radiografia tem que interpretá-lo analisando também o registro radiológico em conjunto com os demais sintomas da provável doença, assim como com o seu conhecimento clínico e sua experiência. Ele tem que conhecer muito bem radiologia também. Se não há na medicina uma profissão independente de radiologista que possa emitir diagnóstico sem o exame de um médico, porque na Geologia há de se permitir que se faça? O geólogo tem que ter um bom conhecimento de Geofísica para poder interpretar o laudo do geofísico e reuni-lo às demais evidências geológicas por ele levantadas e, ainda, aos resultados de outras análises para então tecer um diagnóstico. A INTERPRETAÇÃO FINAL é da alçada do geólogo que deve reunir um conhecimento muito mais amplo do que o geofísico. Infelizmente neste país em franca decadência cultural e tecnológica chega-se a esta pergunta esdrúxula. O que vem acontecendo é que os atuais geólogos negligenciam seu aprendizado porque acham que podem delegar interpretação à tecnólogos especialistas em Geofísica, Geoquímica, Petrografia, etc. É aí que nascem os erros e os gastos absurdos em métodos secundários devido a incompetência dos geólogos em avaliar laudos geofísicos. "Sismo-estratigrafia" pode ser feita por geofísico, mas Estratigrafia tem que ser feita por geólogo. Os diagnósticos baseados somente em laudos de radiologia e ultrassonografia têm feito mulheres dar a luz a miomas e cirurgiões extirparem órgãos sadios. Na exploração mineral, no mesmo viés, há excrescências bem mais absurdas, mas que são bem disfarçadas e pouco divulgadas. Na bacia do São Francisco estão ocorrendo, mas levaram muitos anos para serem reconhecidas…


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