A sísmica multicomponente (ainda ?) não deslanchou como previram alguns gurus das tendências tecnológicas e principalmente pretendiam as empresas de aquisição sísmica. Com o aperfeiçoamento das técnicas de captura triaxial com receptores em fundo oceânico (nodes, OBC) ou fontes de energia cisalhante (como os vibradores triaxiais) recuperar a resposta da subsuperfície à propagação de energia cisalhante deixou de ser um desafio. Porem o processamento de dados MC ainda engatinha e isso impacta diretamente na sua interpretação.

A esperada maior resolução de dados MC na prática só se observa, e mesmo assim dependendo de cuidados especiais durante o processamento, nos intervalos mais superficiais.  Já a amplitude dos dados MC, embora menos sensível (por exemplo à saturação de fluídos) que no campo compressional, é fortemente impactada pela iluminação e  variação da capacidade de conversão em determinada interface. Essas características tornam a interpretação de dados MC um tanto desafiadora.

O ponto crítico para o intérprete é estabelecer uma correlação entre os dados P-P e P-S ou S-S. A correlação sismoestratigráfica dos cubos de onda compressional e convertida pode ser o ponto de partida para interpretação da sísmica MC. Concluída a “amarração” dos volumes P-P e P-S, o intérprete poderá começar a diferenciar efeitos litológicos daqueles associados à fluídos,  confirmar contatos, efeitos associados à gás, etc. A caracterização litológica com base na razão Vp/Vs associada a variação de amplitudes nas interfaces de cubos P-P e P-S pode ser feirta com cuidado, especialmente para camadas delgadas, considerando que o tuning e diferente para as diferentes formas de propagação.
Em dados terrestres, onde se acredita produzir energia cisalhante na superfície, se o processamento for capaz de gerar dados S-S, a relação de tempo de transito entre interfaces nos diferentes cubos pode ser usada diretamente para estimar litologias. Da mesma forma a relação de amplitudes pode ser conjuntamente usada para dar maior robustez a estimativa litológica (pseudo poisson) baseada nas diferenças de tempo de transito.
A sísmica MC, normalmente bem mais cara que a sísmica convencional, só deve ser usada com absoluta certeza quanto ao seu valor,  com extremo cuidado durante seu processamento, e dependendo da  existência de poços com perfis Vp, Vs e VSPs  para calibração. Sugere-se principalmente atenção durante sua interpretação em função dos pitfals citados (imprecisões do processamento com diferentes workflows, variações associadas as diferenças de iluminação, tuning , etc).
One Response to Interpretação de sísmica multicomponente ???
  1. Existem cursos ou livros sobre esse assunto ?


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